Como você dá conta de tudo?

Essa é a pergunta que mais ouço de outras mães, ao saberem que sou mãe, empresária, boleira e que trabalho em casa.

Sou mãe de três crianças ainda pequenas (11, 05 e 3 anos). Meus filhos ficam meio período na escola e, no outro período, estão comigo em casa. No cotidiano dos meus filhos, somos apenas eu e meu marido; não temos família por perto. Não temos babá, não temos empregadas fixas e apenas uma querida pessoa que vem uma vez por semana e, é claro, que neste dia recebo uma ajuda inestimável. Além disso, a minha empresa funciona em casa e, ainda, não conto com nenhum funcionário. Isso significa que, na Bolos em Arte, sou eu quem faço tudo. E posso garantir que a rotina de uma boleira está MUITO longe de ser apenas a de fazer bolo. Até porque, tenho uma empresa, e preciso, além de cuidar de toda a produção, gerir essa empresa.

Como dou conta de tudo? A minha resposta é sempre a mesma: Não dou conta! “Como assim?” Isso mesmo, não dou conta de tudo. Mas posso falar aqui como faço para não desistir de nada ou não me sentir frustrada exatamente por NÃO DAR CONTA DE TUDO.

O primeiro passo foi o de ter muito claro qual é a minha prioridade. E essa resposta foi fácil: meus filhos e meu marido. Mas aqui vale uma reflexão. Por eles serem minha prioridade isso NÃO significa minha anulação como pessoa ou que vou deixar de cumprir um compromisso profissional porque meu filho mais novo quer a mamãe livre só para ele. Eles serem minha prioridade significa que, antes de tomar qualquer decisão, vou pensar no impacto que minha escolha vai ter na vida deles e se estamos dispostos a arcar com esse impacto, eu e meu marido.

Ter meus filhos como minha prioridade também significa que o desenvolvimento da minha empresa vai ter um outro tempo; um tempo de desenvolvimento muito diferente de outras empresas e eu, por conta da prioridade que escolhi, tenho que aceitar isto. Não posso me cobrar ter o mesmo ritmo que outras empresárias têm, com outros perfis, muitas também com seus filhos como sua prioridade, mas com outras estruturas de apoio. Ter um ritmo mais lento de crescimento da minha empresa, não pode ser um sofrimento para mim. Afinal, isto já era uma consequência conhecida da minha escolha de trabalhar em casa, com crianças pequenas.

Então a questão não é dar conta de tudo, mas é aceitar o que você consegue fazer, no tempo que você consegue fazer e sem se comparar com outras pessoas, ou querer que você tenha o mesmo desempenho que outras mulheres empreendedoras. É preciso aceitar a SUA ESCOLHA e as consequências que ela pode te trazer.

Um outro lado dessa história, e que me ajuda muito a hoje conseguir trabalhar em casa, é acreditar mais nos meus filhos e naquilo que eles são capazes. E isso vale para todas as mães: as que trabalham em casa e as que não trabalham. Venho descobrindo que meus filhos dão conta de ficarem bem, mesmo que a mamãe tenha que trabalhar o dia todo e não consiga dar a atenção que eles querem a todo o momento. Eles não só dão conta, como estão felizes. E estão aprendendo muitas coisas ao me verem realizando sonhos, vendo minha dedicação, consistência, percebendo meu senso de responsabilidade. Mas eu, como mãe, tive que confiar nos meus filhos e combater o sentimento de culpa materna, nossa mais severa inimiga. É claro que estando em casa, mesmo trabalhando, eu tenho o bônus de estar perto dos meus filhos, escutá-los brincando, brigando (rs) e poder participar mais de suas vidas, em momentos que não conseguiria trabalhando fora de casa.

O terceiro ponto é não deixar que os outros me definam: um jeito bonito para dizer que não podemos deixar que a opinião dos outros nos abale. Porque é muito fácil apontar o dedo e falar “verdades” sobre a vida dos outros. O difícil é fazer algo. Então, sempre que você escutar coisas do tipo: “Mas você quer que as pessoas paguem para você ter um Hobby?” – Sim, eu já escutei isto-, pense: “Essa pessoa conseguiria fazer o que EU FAÇO?” Quais seriam as escolhas dessas pessoas que te criticam, vivendo as mesmas situações que você vive? Eu, hoje, acredito que não conseguiriam fazer metade do que faço ou que você faz. Então, é preciso você também acreditar em você e ter claro as suas escolhas e sua prioridade. Assim, você vai saber porque determinadas escolhas foram feitas e aceitar que, de fato, não tem como dar conta de tudo. 

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