Um Texto Dedicado a Nova Mãe em Tempos de Quarentena!

Antes de iniciar esse texto, vou pedir licença aos novos pais, que são tão importantes nesse momento do nascimento de um filho, para falar exclusivamente com as mães. Afinal sei que quando nasce um filho ou filha, nasce uma mãe, nasce um pai, nasce uma nova família. Mas hoje, minha fala é exclusivamente para essa nova mãe; mais especificamente a essa NOVA MÃE EM TEMPOS DE QUARENTENA!

Por que se torna urgente falar com essa mulher que se tornou mãe em meio à Pandemia de Coronavírus?

Uma pessoa muito querida, uma Psicóloga no exercício de sua atividade, me chamou a atenção para o que vem acontecendo ao redor do nascimento de bebês em meio à Pandemia do Coronavírus: mães que têm seus bebês e que voltam para casa com seus maridos, sem poderem receber visitas e ajuda, nesse novo momento de suas vidas, por conta do isolamento social, ditado já a duas semanas e prolongado a, pelo menos, mais duas semanas.

E aqui vale uma pausa para dizer que, SIM, um isolamento necessário neste momento e que pode salvar muitas vidas!

Se em um primeiro momento enxerguei isso com um certo pesar, pois sei que a chegada de um bebê, apesar de ser um momento de muita felicidade, não é nada fácil onde precisamos de toda ajuda possível, após um pouco mais de atenção dada a este assunto, percebi que essa condição pode resultar em muitas coisas positivas para essa nova família que acaba de nascer e para o Desenvolvimento Emocional saudável dessa criança.

Como assim?

Primeiro, para falar sobre esse assunto, vou me basear na Teoria de Desenvolvimento Emocional de Winnicott, que foi um Pediatra e Psiquiatra Infantil na Inglaterra; nascido em 1896 e que faleceu, aos 74 anos, em 1971.

Foi a farta experiência de Winnicott no atendimento de crianças e sua observação atenta na relação mãe-bebê o que lhe permitiu desenvolver sua Teoria Psicanalítica do Desenvolvimento Emocional Infantil. Teoria ainda tão necessária nos dias de hoje.

Bom, mas o que importa aqui é saber que Winnicott, quando ia falar sobre como os bebês se desenvolvem para suas mães, partia de dois pressupostos:

  • Ele, como homem, jamais poderia saber como uma mãe se sente. E estendia essa concepção a mulheres que ainda não tiveram filhos, afirmando que uma mulher que ainda não passou por essa experiência não sabe, de fato, o que uma mãe enfrenta emocionalmente, podendo apenas supor. Mas com um risco muito alto de estar errada.
  • E, mesmos mulheres que já são mães (independente de sua idade e quantidade de filhos) não podem ensinar uma nova mãe como agir com seu bebê. E é nessa segunda observação que vou me deter para explicar o meu ponto de vista de como o isolamento social pode ser um momento importante e benéfico para essas famílias que acabam de nascer.

Lembro de quando tive minha primeira filha e, ao chegar em casa com aquele pacotinho, me sentir totalmente incapaz em lidar com aquela nova tarefa: ser mãe. E olha que eu já havia me formado a algum tempo em Psicologia e já tinha alguns anos de estudo da teoria winnicottiana, citada acima. Assim, me vi, em um primeiro momento, sem saber muito bem o que precisava fazer.

Porém, mesmo sem saber qual o próximo passa a dar, o bebê começa, por meio de suas demandas, a nos colocar em ação.

Vem o primeiro choro, a primeira mamada, a primeira troca de fralda, o primeiro soninho, e nos vemos envolvidas em cuidados atrás de cuidados direcionados a esse novo ser e com muitas frustações sentidas por nós: muitas mães não conseguem amamentar, o bebê não dorme como sonhavamos que seria e passamos o dia todo como mulheres zumbis esperando o próximo chamado.

E nesse momento, muito comumente, somos atravessadas por palpites e informações de todos os lados: da mãe, da sogra, da amiga, de milhares de pessoas das redes sociais, na padaria, da mulher que você nunca viu e calhou de sentar ao seu lado na sala de espera do pediatra. No final das contas, parece que todo mundo sabe cuidar do seu filho ou filha MELHOR DO QUE VOCÊ.

E é aqui que volto a Winnicott, quando diz que nenhuma mulher, mesmo as que já são mães, podem ensinar você a ser mãe de seu filho. E ele explica o porquê.

Foi Winnicott quem cunhou o termo “Mãe Dedicada Comum” e com isso ele quis enfatizar que as mães sabem NATURALMENTE cuidar de seus pequenos bebês, desde que confiem em si mesmas. Ora, ressalta o autor, durante os 9 meses de gestação, de maneira gradual, o bebê foi se tornando o centro das atenções dessa mãe, e do pai também.

Sem percebermos, ao decorrer desses 9 meses, passamos a tomar todas as decisões levando em conta o que será melhor para esse pequeno ser que ainda está se formando dentro de nós. E quando a mãe conhece o seu bebê… bem, nós que já passamos por isso sabemos: o mundo fica em segundo plano; o bebê se torna o centro do nosso universo. E Winnicott ressalta: E TEM QUE SER ASSIM MESMO. Afinal, é essa a condição para que a mãe possa estar identificada com o seu bebê e saber o que ele precisa.

Então, esquecemos de escovar os dentes, vamos no banheiro quando dá, não quando precisamos; cabelo, o que é isso? Quantas vezes, ao entrar no elevador, percebia que tinha esquecido de pentear o cabelo, porque era só alí que me via no espelho. E era assim que ia no pediatra, levar para tomar as primeiras vacinas…

É a mãe, e também o pai, quem possui a condição para se identificar com o seu bebê. Qualquer outra pessoa olha para essa criança como sendo alguém que possui um conhecimento sobre ela. Mas a mãe olha para esse bebê como sendo uma extensão de si própria. Winnicott fala, “a mãe é o bebê e o bebê é a mãe”. Por isso, somente ELA sabe cuidar dessa criança NATURALMENTE, de novo, desde que confie em si mesma.

Em seu livro “A Criança e o Seu Mundo”, Winnicott ressalta que logo após o nascimento e nas primeiras semanas de vida de um filho ou filha, a mãe já sabe a melhor maneira de segurar seu bebê em seus braços, como deitá-lo no berço e como deixá-lo na posição mais confortável. E, em contrapartida, o bebê sabe quando está no colo de sua mãe ou não.

Porém, ao deixar de se “escutar” e começar a escutar a avó ou a amiga, a cunhada ou a sogra, que, no primeiro choro inconsolável do bebê, diz à mãe que está fazendo tudo errado, ou ir atrás de livros para saber porque o bebê não dorme mais de 3 horas seguidas, a mãe se distancia dessa identificação e também passa a olhar para aquela criança com estranhamento. Como se não pudesse ir ao encontro de suas necessidades.

Ao passo que, naturalmente, quando nosso recém-nascido chora e ao termos a certeza de que está saciado, de fralda trocada, que não há nenhuma questão fisiológica a ser saciada, nossa tendência é colocá-lo no colo e tentar acalmá-lo, o tempo que for necessário. E Winnicott nos diz que isso é tudo que nosso pequeno ser precisa, chorar em um colo que suporte esse choro. Pois é assim que ele vai começar a confiar em um mundo (que somos nós a mãe e o pai), que vai estar lá para ele quando for preciso.

Então, quando olho para esse isolamento social, em meio a essa Pandemia de Coronavirus, apesar de me sentir aflita por algo nunca vivenciado, e penso nas famílias que acabam de nascer, também vislumbro a possibilidade das mães serem elas mesmas sem a intromissão das vozes aflitas que vem de fora; vozes que só possuem a necessidade de terem razão. Hoje penso na tranquilidade das novas mães cuidando de seus filhos ao confiarem em si mesmas e se permitindo agir naturalmente.

Bom, e o pai? O que cabe ao pai neste momento? Primeiro cuidar da sua esposa, permitindo que ela possa estar voltada 100% para seu bebê, pois ela saberá que você estará cuidando dela. E, em segundo lugar, vivendo ativamente a conexão que só você, como pai tem com seu bebê, cuidando dele também naquilo que é possivel: troca de fraldas, banhos, colocar para arrotar, deixar a mamãe dormir.

Assim, esse pequeno serzinho, que hoje está sendo assistido pelas duas únicas pessoas que ele precisa nesses momentos iniciais da sua vida, vai aprender que é amado do mesmo modo pela mamãe quanto pelo papai. E precisamos ter sempre em mente que, nas primeiras semanas de vida, para um recém-nascido, o amor é vivido como sendo um ambiente seguro.

E sentir, nesses primeiros momentos, que vive em um ambiente seguro, constante, sem interrupções ou intromissões, é o alicerce para o desenvolvimento emocional saudável de seu filho ou filha.

Então, sem tentar romantizar um momento tão difícil que vivemos a nível mundial, de tantos medos e inseguranças, mas tentando chamar a atenção para alguns momentos que podem ser vividos como positivos em meio a essa Pandemia, o que tenho a dizer para as novas mães é que confiem em vocês mesmas, dividam os momentos de cuidados, medos, de alegrias e dúvidas com seus companheiros e se dediquem para esse serzinho com o que vocês tem de mais especial e único: o seu amor de mãe!

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