Você sabe como está a sua saúde mental?

Posso já adiantar para você que eu, mesmo sendo Psicóloga, não saio por aí fazendo essa pergunta de como anda a Saúde Mental das pessoas. Por quê? Primeiro porque é inadequado sair por aí perguntando como está a saúde das pessoas, de modo geral, mas quando se trata do tema Saúde Mental, sei também que ainda há um grande preconceito sobre esse termo e sobre todos os aspectos que o envolvem.

Vivemos em uma sociedade onde o esperado é que você transpareça apenas a felicidade. Pelo menos é isso que vemos todos os dias ao ligarmos a televisão, rolar o feed de qualquer uma de nossas redes sociais ou mesmo no nosso dia a dia, no convívio com as pessoas.

Se pensarmos em uma sociedade que despreza o sofrimento emocional causado pela desigualdade social ou pelo racismo, imagina ter que assumir que não estamos dando conta de lidar com determinada situação de nossas vidas?

Agora, imagine falar sobre Saúde Mental que, também em nossa cultura, está relacionada, de maneira pejorativa, com a loucura, com o descontrole emocional e afetivo? Falar sobre Saúde Mental é um tabu.

Mas, como para desmistificar conceitos, derrubar preconceitos e tabus precisamos falar sobre o assunto, a proposta desse artigo é a de ajudar você, que está aqui por algum motivo, a olhar para a sua Saúde Mental de maneira mais natural e sem ressalvas, a ponto de compreender que, SIM, precisamos cuidar de nossa Saúde Mental do mesmo modo como cuidamos da nossa saúde física.

Para início de conversa, precisamos saber o quê, afinal, é a Saúde Mental?

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Saúde de um modo geral, não seria apenas a ausência de uma doença, mas estaria relacionada ao um bem-estar físico, mental e social. Desse modo, pode-se perceber que a Saúde Mental também faz parte e influencia a nossa saúde como um todo.

E, nesse sentido e ainda de acordo com a OMS, especificamente a Saúde Mental está relacionada com a nossa capacidade em lidar com o estresse do cotidiano – que gosto de chamar de demandas da vida -, com a nossa capacidade em produzir algo e de contribuir com a comunidade ao qual pertencemos.

Se pensarmos nesse último item como um dos indicadores de saúde, podemos entender como o termo “sociedade adoecida” faz tanto sentido nos dias atuais. Mas isso é assunto para outro artigo.

De maneira resumida e apenas com alguns exemplos, lidar com as demandas da vida, é lidar com uma infinidade de emoções: alegria, tristeza, frustrações, realizações, amor, raiva, decepção, enfim, com todo o repertório emotivo que temos na vivência de nossas relações interpessoais e de nossas atividades cotidianas.

Produzir, também significa lidar com nossos limites, frustrações, conflitos, com novos desafios, nossa capacidade de flexibilização, acertos e aceitação dos nossos erros.

E contribuir com a nossa comunidade, entre outras questões, presume a capacidade de Empatia, o sentimento de pertencimento e a nossa certeza de que possuímos algo de bom, dentro de nós, que pode ajudar as pessoas a nossa volta.

Então, podemos começar a vislumbrar que falar de Saúde Mental não é algo tão simples como pode parecer, quando nos sentimos ofendidos ao achar que, aos nos perguntarem sobre esse assunto, estão querendo nos chamar de loucos.

A nossa Saúde Mental está relacionada com o modo que lidamos com as nossas emoções, o modo como nos enxergamos e a maneira como nos relacionamos com as pessoas que estão a nossa volta e com a nossa comunidade.

E, se uma dessas questões estiver em desiquilíbrio em nossas vidas ou se a demanda de uma determinada área estiver maior do que aquela que consigamos lidar, podemos aferir, com certa tranquilidade, que algo não vai bem com nossa Saúde Mental. E aqui é que se torna importante que prestemos atenção.

Se não nos permitimos cuidar desse aspecto tão importante que, como vimos anteriormente, influencia na nossa saúde como um todo, a possibilidade da nossa Saúde Mental se comprometer, cada vez mais, é muito grande. Isso porque, aquilo que era uma dificuldade em se lidar com algo, pode sim se tornar uma depressão, uma fobia, ansiedade generalizada, entre outras possibilidades. Podendo, até mesmo, se tornar um sofrimento tão grande, que ao ser ignorado, começa a se expressar em nosso corpo por meio do adoecimento físico.

Acho muito difícil alguém perguntar para você como anda a sua Saúde Mental, mas isso não lhe impede, uma vez ou outra, de olhar para “ela” e se perguntar a quantas andam a sua Saúde Mental. Isso lhe possibilitará buscar auxílio de um profissional capacitado, caso perceba dificuldades emocionais com as quais você não está conseguindo lidar e que estão lhe causando sofrimento.

Como sempre gosto de frisar, a maior demostração de força e auto cuidado é quando, ao perceber que precisamos de ajuda, calamos as vozes externas, escutamos as nossas necessidades e buscamos ajuda efetiva, que nos possibilite olhar para aquilo que vem nos trazendo tanto sofrimento.

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