A importância do acompanhamento psicológico na gravidez e no pós-parto

Em nossa sociedade, é esperado do casal e principalmente da mulher que o momento de gestação seja vivido de maneira plena e feliz, não havendo espaços para que a futura mamãe possa expressar o que verdadeiramente sente, sem correr o risco de ser fortemente julgada.

De maneira corriqueira, já é sabido que mulheres grávidas podem sofrer de mudanças de humor que, muitos vezes não são levadas a sério, por se acreditar que essas mudanças só estariam associadas às grandes mudanças hormonais que ocorrem neste período. Porém, hoje, já se sabe que, não só devido a grandes mudanças biológicas mas também psicológicas e sociais, é possível o desenvolvimento de Depressão e Quadros de Ansiedade neste momento tão único da vida de uma mulher.

E mais, alguns estudos já conseguiram relacionar a depressão Pós-parto (período puerperal) com quadros de Ansiedade e Depressão presentes desde o momento da gestação e que não tiveram a devida atenção. Em um estudo realizado em 2017, em 50% dos casos diagnosticados com Depressão Pós-Parto, sintomas depressivos já eram detectados nestas mulheres ainda gestantes.

Assim, torna-se de suma importância que o médico obstetra tenha um olhar atento para as mudanças de humor apresentadas pela gestante, para que, caso necessário, essa mulher possa também receber atendimento psicológico durante sua gestação e o puerpério.

Vamos falar de Depressão Pós-Parto?

Por que é importante falarmos de Depressão Pós-Parto? De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), no Brasil, 19,8% das mulheres no puerpério irão desenvolver Depressão Pós-Parto. Sendo que, em um estudo de 2017, constatou que esse número pode chegar à 37% das mulheres recém-mães.

Além disso, já se sabe que 1 entre 4 mulheres irão apresentar sintomas de depressão no período de 6 a 18 meses após o nascimento do seu bebê. Situação agravada quando o quadro analisado é de um Depressão Leve ou Moderada, pois esses quadros podem passar desapercebidos ou serem ignorados já que, o que esperamos socialmente de uma mulher que ganha o seu bebezinho é um único tipo de sentimento: o de felicidade plena.

No que se refere aos sintomas de Depressão Pós-Parto, esse quadro não difere muito de uma Depressão em outro momento de vida: humor triste, uma sensação de vazio, irritabilidade, diminuição ou perda do interesse em atividades que antes eram prazerosas, alteração de apetite, insônia ou sono excessivo, fadiga, agitação, sentimentos de culpa ou desvalia, dificuldade de concentração. Podem haver pensamentos suicidas ou de morte.

Mais especificamente na Depressão pós-parto, é muito frequente haver mudanças de humor muito bruscas e constantes e a presença de sentimentos ambivalentes da mãe em relação ao seu bebê.

Em situações raras, a Depressão Pós-Parto pode evoluir para uma forma mais agressiva e extrema desse tipo de Depressão , configurando o quadro de Psicose Pós-Parto.

É muito importante termos em conta que a Depressão Pós-Parto não é uma falha de caráter da mãe, não é falta de amor da mãe pelo seu bebê, nem fraqueza. É uma doença emocional que precisa ser diagnosticada, acompanhada e tratada. Pois só assim, mãe e bebê poderão desfrutar desse vínculo tão único e tão importante para o Desenvolvimento Emocional da criança.

Depressão Pós-Parto e Baby Blues são a mesma coisa?

Não, não são a mesma coisa, apesar dos dois terem a característica comum do sentimento de tristeza presente nas primeiras semanas do puerpério.

O Baby Blues, também chamado de Disforia Puerperal, caracteriza-se por uma flutuação do humor ou labilidade emocional, que ocorre por fatores hormonais devido a gestação e, agora, o puerpério. Ou seja, ocorre em um momento onde o organismo feminino está se preparando para voltar ao seu estado “normal”.

Além da labilidade emocional os sintomas do Baby Blues são: Tristeza, choro fácil, ansiedade, irritabilidade, dificuldade em concentrar-se, insônia.

Geralmente, tem início no terceiro dia, após a chegada da mãe com o bebê em casa, com duração entre 2 a 3 semanas após o aparecimento dos sintomas. Entre 50 a 80% das mulheres recém-mães apresentam Disforia Puerperal. É um estado esperado, não necessitando de tratamento medicamentoso. Mas sim de um olhar atento caso a tristeza aumente sua intensidade ou a sua duração seja maior do que 45 dias.

De maneira muito simples, o Babu Blues pode ser caracterizado como uma Melancolia. Já a Depressão Pós-Parto, que também é um estado de tristeza que aparece dentre as primeiras semanas pós-parto, com o decorrer do tempo, tem seus sintomas intensificados, o que dificulta, cada vez mais, exercer até mesmo as simples atividades do dia a dia e o interesse, pelas coisas e pessoas, desaparece.

Ao contrário do Baby Blues, a Depressão Pós-Parto precisa ser diagnosticada e tratada. E os tratamentos são Psicoterapia e o acompanhamento de um Psiquiatra para ser averiguada a necessidade de medicamento. Lembrando que, uma Depressão não tratada, mesmo que leve ou moderada, pode trazer sofrimento e prejuízos relacionais, sociais, no trabalho. O sofrimento não olhado e não cuidado pode se manifestar pelo corpo, por meio de uma doença.

Por isso SEMPRE a melhor opção quando se percebe algum nível de sofrimento emocional é buscar ajuda de profissionais de confiança e capacitados. Ainda mais em um período que deveria ser de descobertas, de encontros e da construção de um lindo relacionamento entre a mãe e o seu bebê.

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